Como Vender Coisas Usadas: O Meu Desapego Que Virou Transformação

Veja como vender coisas usadas mudou minha casa — do acúmulo ao desapego, com aprendizados, tropeços e dicas reais para quem quer começar.
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Pare e olhe a sua casa agora. O que ela diz sobre você ?

Foi assim, numa dessas pausas, que percebi que a casa onde eu morava já não me representava mais. Cada canto, cada objeto, parecia contar uma história que não era mais minha.

Nesse processo de olhar com mais atenção, comecei meu movimento de desapego e descobri que vender coisas usadas podia ser muito mais do que ganhar dinheiro extra — era sobre abrir espaço para quem eu estava me tornando.

Neste post, vou te contar como vender coisas usadas com base na minha experiência vendendo mais de 300 itens pela internet. Quero falar sobre mudanças, dúvidas, aprendizados — e, principalmente, sobre a transformação que o minimalismo me trouxe.

O Peso Invisível Das Coisas: Por Que Acumulamos Tanto ?

Se eu olhasse para minha casa de quatro anos atrás, veria uma coisa só: excesso. Coisas demais ocupando cada cantinho. Muito do que estava ali já não fazia sentido — mas eu não percebia.

Eu guardava objetos pensando que um dia poderiam ser úteis. Alguns nunca cheguei a usar; outros só estavam ali por costume. Parecia que preencher cada espaço era uma obrigação. Armário vazio ? Nem pensar. E, com o tempo, tudo foi ficando cada vez mais cheio.

O minimalismo entrou na minha vida aos poucos, meio sem avisar. Comecei a enxergar o espaço vazio não mais como falta, mas como liberdade. Foi aí que veio o questionamento: “Por que eu guardo isso ? Por que tenho tanto medo de desapegar ?”

Às vezes, a gente ocupa espaço só por ocupar — vai no automático, sem se perguntar o real motivo.

Eu tinha, por exemplo, uma coleção de casacos de frio, morando numa cidade litorânea. A cada viagem, voltava com mais um. Até que um dia parei e pensei: “Por que tenho tanto casaco ? Aqui nem faz frio!”

Sempre fui de doar o que não usava, mas tinham coisas que simplesmente não conseguia deixar ir. Talvez achasse que ainda serviriam um dia, ou porque nunca tinha nem usado — então, ficavam ali, paradas, ocupando espaço e memória.

Foi esse excesso que me levou a buscar um caminho mais leve, e foi assim que comecei a aprender, na prática, como vender coisas usadas e transformar minha relação com o que tenho em casa.

A Descoberta: Vencendo o Medo de Vender Pela Internet

Se alguém me perguntasse há alguns anos sobre vender alguma coisa, minha resposta seria rápida: “Isso não é para mim”.

A ideia de lidar com compradores, convencer alguém, negociar valores, pensar em como entregar o produto… Só de imaginar, eu já desistia.

Sempre achei que vendas não eram meu perfil, e ainda tinha inseguranças sobre todo o processo: será que preciso calcular frete ? Como embalar ? O que colocar na descrição ? Para mim, era complicado demais.

Até que aquele incômodo de ver as coisas paradas ficou maior. Então, meu esposo sugeriu: “Por que você não tenta vender online ?” No início, recusei. Mas, após pensar melhor, resolvi pesquisar — e me surpreendi ao ver como era mais simples do que imaginava.

Descobri que dava para criar uma lojinha virtual, anunciar os produtos e esperar alguém comprar. O melhor: sem negociar cara a cara, sem aquela questão de combinar como entregar. Era só postar, tirar boas fotos, escrever uma descrição honesta e esperar o interesse chegar.

Vi um vídeo no YouTube sobre o assunto e aquilo abriu uma porta para mim. Descobri que podia enviar meus produtos pelos Correios ou transportadora, sem precisar encontrar ninguém — bastava embalar e postar. 

O que mais me animou foi perceber que, dependendo da plataforma, quem paga o frete é o próprio comprador.

A cada pesquisa, a ideia parecia mais possível. Até que decidi arriscar: abri minha conta na plataforma, coloquei meus primeiros itens à venda — e tudo começou.

Como Vender Coisas Usadas: Dicas Para Começar

  • Crie uma conta numa plataforma de vendas online, como Enjoei, Shopee ou Mercado Livre.
  • Antes de escolher, pesquise as avaliações, taxas e políticas de cada uma para ver qual se encaixa melhor no seu perfil.
  • Faça um perfil simples, com seus dados reais e uma foto (pode ser um avatar ou uma figurinha).
  • Tire fotos nítidas dos produtos em local bem iluminado, mostrando detalhes e defeitos.
  • Escreva descrições honestas, colocando marca, medidas, peso, tudo que ajude o comprador a decidir.
  • Comece pequeno: separe cinco itens que você não usa há mais de seis meses. Fotografe, poste e veja o que acontece.

Minha Experiência Vendendo Coisas Usadas

Quando percebi que vender online era possível, não pensei duas vezes: criei minha conta, coloquei uma bonequinha no perfil, tirei fotos dos meus itens e caprichei na descrição.

Lembro da primeira venda como se fosse hoje: um misto de alegria e receio. Não sabia direito como embalar nem como postar. 

A peça era uma camisa — coloquei num plástico limpo, escrevi um recadinho e levei aos Correios. O atendente mediu, pesou, entregou o comprovante… e pronto: minha primeira venda concluída. Pensei: “Até que foi fácil.”

No começo, só anunciava até quinze itens por medo de não dar conta se vendesse tudo de uma vez. Mas, conforme ganhei confiança, fui desbloqueando esse medo. Minha lojinha chegou a quase duzentos itens ativos — algo que antes parecia impossível.

O mais incrível foi perceber a transformação não só nos armários, mas em mim. Quanto mais eu vendia, mais leve ficava a casa. Os espaços vazios deixaram de ser motivo de aflição e viraram símbolo de liberdade.

Hoje, minha casa tem armários vazios e espaços livres — e não faço questão nenhuma de preenchê-los novamente. Essa, para mim, é uma das maiores conquistas do minimalismo.

Mulher loira sorrindo, usando vestido longo, bolsa de palha e caixa nas mãos, ilustrando como vender coisas usadas facilita o desapego.
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Dicas Que Aprendi Vendendo Minhas Coisas

Fotos Boas Vendem Mais

No começo, eu improvisava. Logo percebi que uma foto bem iluminada faz toda a diferença. Investi num softbox baratinho, porque meu quarto é escuro — e a qualidade das imagens melhorou muito. Produto bem apresentado chama atenção e passa confiança.

Pesquisa de Preço Faz Toda Diferença

Antes de colocar qualquer item à venda, sempre dou uma olhada em anúncios parecidos na plataforma. Isso me ajuda a entender o valor de mercado. 

Quando coloco o preço muito alto, o produto simplesmente não vende. Já quando ajusto um pouco para baixo, o desapego acontece mais rápido — e esse sempre foi meu objetivo.

Também aprendi que anúncio parado precisa de atenção. Se vejo que um item está há muito tempo sem vender, faço uma nova tentativa: tiro fotos melhores, atualizo a descrição e cadastro novamente com um preço mais acessível. Isso costuma funcionar.

Teve uma taça, por exemplo, que ficou quase um ano encalhada. Cadastrei de novo, aproveitei as mesmas fotos, ajustei o valor — e em menos de uma semana ela vendeu. Às vezes, não é o produto que não tem saída, é só o anúncio que precisa de um novo olhar.

Descrição Detalhada Evita Dor de Cabeça

Aprendi a contar tudo: marca, medidas, defeitos. Prefiro ser sincera, mesmo que às vezes perca uma venda. Isso evita perguntas repetidas e cria uma relação de confiança com quem está do outro lado.

Peso do Produto: Sempre Para Mais

Já tive problema por calcular o peso só do item, esquecendo caixa e embalagem. Hoje, sempre arredondo para cima — se pesa 1,2 kg, coloco 2 kg no anúncio. Melhor garantir do que pagar a diferença depois.

Guarde Embalagens e Pratique o Reaproveitamento

Virei a “catadora de papelão”. Sempre que recebo compras online, guardo as caixas. Também aproveito as caixinhas do mercado ou de outros lugares. Papelão bom é ouro: protege bem, é sustentável e ainda economiza no envio.

Cadastre Sem Medo

No início, tinha receio de cadastrar muitos itens. Depois percebi que os mais novos às vezes vendem até mais rápido que os antigos. Não tenha medo de aumentar seu estoque na loja virtual.

Entrega Rápida Encanta o Comprador

Quando vendo, já separo para entregar no dia seguinte. Quem compra adora agilidade, e isso conta pontos na plataforma.

Seja Atencioso

Confesso que antes eu não dava muita atenção para as mensagens. Com o tempo, percebi como responder rápido faz diferença. 

Hoje, deixo o e-mail aberto enquanto trabalho para ver se chega alguma notificação. Sempre que posso, respondo logo — o comprador sente essa atenção e valoriza muito.

Procuro tirar todas as dúvidas, mesmo que algumas respostas já estejam no anúncio. Prefiro esclarecer tudo do que correr o risco de uma devolução depois. Um atendimento atencioso faz toda a diferença para quem está comprando seu produto.

O Poder do Kit: Venda Mais Rápido

Aprendi que montar kits faz toda a diferença para vender itens que estão parados. Quando vejo que algo está demorando para sair, reúno produtos parecidos e crio um kit — já montei kits de tapetes, panelas, louças e até acessórios. 

Assim, além de facilitar a venda, consigo liberar espaço de uma vez só e ainda ofereço mais valor para quem compra.

Não Subestime o Valor de Nada

Já olhei para certos objetos em casa e pensei: “Ninguém vai querer isso”. Mas me surpreendi! Já vendi uma bolsa que não estava tão boa por 300 reais em menos de três horas. Potes plásticos que pareciam sem valor também encontraram novos donos rapidinhos.

Quando fico na dúvida se algo tem ou não valor, pesquiso antes de descartar. Uso muito o Google Lens para descobrir se aquele produto é procurado e quanto costuma valer. 

Às vezes, o que parece sem importância para a gente pode ser exatamente o que alguém está buscando.

Atenção às Taxas: Fique de Olho no Valor Final

Quando comecei a vender online, uma das primeiras surpresas foi descobrir que as plataformas como Enjoei, Shopee ou Mercado Livre ficam com uma parte do valor de cada venda. 

As taxas variam conforme o tipo de produto, categoria ou até o valor do anúncio — e é importante saber disso antes de anunciar.

Tem gente que desanima ao ver as taxas, mas, sinceramente, eu prefiro pagar um pouco para ter praticidade e segurança

Muitos dos itens que consegui vender jamais encontrariam um comprador entre amigos ou familiares. Vale conferir as taxas de cada plataforma e, se fizer sentido para você, seguir em frente sabendo exatamente quanto vai receber no final.

Moça sorrindo sentada em sala iluminada e organizada, ilustrando como vender coisas usadas transforma o ambiente.
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O Que Eu Já Vendi (E Surpreendeu!)

Ao longo desse tempo desapegando, já vendi de tudo um pouco. Alguns itens saíram rapidinho, outros demoraram, mas sempre encontraram um novo dono. Olha só alguns exemplos:

  • Roupas que comprei e acabei usando pouco — ou nem cheguei a usar. Tinha peças em ótimo estado e outras nem tanto.
  • Livros de todos os tipos: romances, autoajuda, saúde.
  • Itens de decoração que ficaram anos só acumulando poeira: vasos, quadros, porta-retratos, adornos.
  • Bolsas grandes, pequenas, mochila de academia.
  • Sapatos: botas, rasteirinhas e até aquele sapato que ganhei, mas nunca usei.
  • Eletrodomésticos pequenos como liquidificador, cafeteira e aspirador de pó.
  • Acessórios de Carnaval: tiaras, fantasias, óculos divertidos.
  • Panelas, frigideiras, pratos, copos, taças, xícaras — vi quanta coisa acumulada tinha na cozinha.
  • Óculos, carteiras e outros acessórios pequenos.
  • Perfumes que ganhei, mas não curti usar.
  • Roupas de cama: lençóis, colchas, fronhas, jogos completos.
  • Itens de banheiro: tapetes, toalhas.
  • Eletrônicos como celular e tablet, que troquei e coloquei à venda.
  • Itens de jardinagem, como vasos e flores artificiais. 

Já vendi coisas que jamais imaginei que alguém fosse querer: teve frigideira usada que recebi 5 reais por venda, mas também já vendi meu celular e recebi mais de 2000 reais. É surpreendente perceber como tudo pode encontrar um novo dono.

Comece Hoje Seu Movimento De Desapego

Se você sente que sua casa está cheia, mas seu coração ainda busca leveza, dê o primeiro passo. Não precisa ser radical. Basta começar por um objeto. O caminho do minimalismo é pessoal, mas sempre vale a pena.

Desapegar é um presente que você se dá. E, de quebra, pode ajudar outra pessoa e ainda faturar um dinheiro extra.

Nessa jornada de desapego, sinto que estou mais leve, e a casa começa a refletir quem eu realmente sou. 

Para quem achava que nunca conseguiria vender, hoje posso dizer: “Já faturei mais de 15 mil reais vendendo coisas usadas” — e, mais importante, conquistei uma nova relação com meu espaço.

Aviso: Este conteúdo é informativo e educativo e não substitui orientação profissional individual. Para decisões sobre saúde, bem-estar, rotina ou finanças, consulte um profissional de confiança. Veja detalhes em nosso Aviso Legal.

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Juliana Santos

Redatora e engenheira química. Apaixonada por sustentabilidade, natureza, música clássica, meditação e yoga.

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