Você já pensou em parar de usar shampoo ?
Para ser sincera, eu nunca tinha nem cogitado isso até uns dois anos atrás. Shampoo era uma daquelas coisas que a gente simplesmente coloca no carrinho do mercado sem pensar. Faz parte da rotina — a gente usa, e pronto.
Mas a vida tem uns jeitos curiosos de fazer a gente repensar velhos hábitos. O que era só um incômodo ficou pior: a coceira e a caspa aumentaram. Então, resolvi buscar uma alternativa diferente e conheci o método no poo.
Aqui vou contar um pouco da minha experiência com no poo: o que mudou, os aprendizados e como essa escolha aproximou minha rotina do universo lixo zero.
Cada cabelo reage de um jeito. Compartilho apenas o que vivi, aprendi e sigo ajustando no meu próprio ritmo.
Como Era o meu Cabelo Antes
Nunca fui fã de usar produtos químicos muito agressivos no cabelo. Fazia o básico: usava shampoo, um condicionador, às vezes máscaras capilares para hidratação, ou algum óleo nas pontas.
Nunca gostei de pintar o cabelo — cheguei a usar hena natural (hoje nem isso uso mais). Também nunca fui fã de fazer escova ou chapinha, sempre achei que esquentava demais o couro cabeludo e eu não curtia.
Minha rotina de cuidados era simples: sem escova, sem chapinha, sem mil cosméticos para o cabelo.
De vez em quando, eu usava um secador, porque o meu cabelo demorava muito para secar naturalmente. Hoje, não uso mais — e o cabelo seca mais rápido do que antes, o que me surpreendeu bastante.
Meu cabelo era oleoso, liso, com pontas duplas e um pouco ressecado.
Como Tudo Começou
Durante anos, convivi com episódios frequentes de caspa e coceira no couro cabeludo. Testei de tudo: shampoos comuns, anticaspa, produtos naturais, opções veganas, produtos caros e baratos. Alguns até melhoravam por um curto período, mas o incômodo sempre voltava.
Procurei médicos, segui orientações e tratamentos, mas a sensação era de que nada resolvia por completo. Com o tempo, o problema ficou mais intenso, principalmente a coceira constante.
Foi nesse momento que comecei a questionar minha rotina. Será que o shampoo que eu usava era o melhor para mim ?
Na busca por resolver o problema, fui atrás de alternativas. Cheguei a usar um shampoo em barra vegano, e até senti que tinha melhorado um pouco — o couro cabeludo ficou menos irritado, mas a caspa e a coceira ainda não sumiram de vez.
Mesmo optando por algo mais natural, percebi que aquela ainda não era a solução definitiva para mim.
Foi então que, pesquisando mais a fundo, eu descobri o método no poo. Confesso: minha primeira reação foi de puro estranhamento. “Como assim lavar o cabelo sem shampoo ? Vai dar certo isso ?”
Mas pensei: “Pior do que tá, não fica. Não custa nada testar, né ?”
O Que é o Método No Poo na Prática
O no poo propõe eliminar o uso de shampoos tradicionais, especialmente os que contêm agentes mais agressivos. A ideia é permitir que o couro cabeludo reencontre seu equilíbrio natural ao longo do tempo.
Depois percebi que essa abordagem faz sentido também pela visão do Ayurveda, a medicina tradicional indiana que sigo.
Com o Ayurveda, aprendi que o corpo se equilibra quando respeitamos os processos, e nem todo sintoma precisa virar um problema. Por exemplo, o excesso de oleosidade: antes eu via como um problema, hoje vejo como um desequilíbrio.
Dentro do universo lixo zero, o método chama atenção por diminuir o consumo de embalagens plásticas e produtos descartáveis. Menos frascos, menos compras, menos resíduos no banheiro.
No meu caso, o interesse inicial era pela saúde do couro cabeludo. A redução do impacto ambiental acabou vindo como consequência natural do processo.
Minha Primeira Fase de Adaptação ao No Poo
Decidi parar completamente de usar shampoo e qualquer cosmético para cabelo, começando a usar vinagre diluído para a limpeza.
Sempre considerei meu cabelo oleoso — tanto que sempre comprei produtos para combater a oleosidade —, mas nos primeiros dias ele ficou ainda mais oleoso. O que eu fazia nesse tempo ? Comecei a deixá-lo mais preso.
A oleosidade aumentou bastante. A coceira também apareceu com mais intensidade em alguns momentos.
Para tentar aliviar, testei bicarbonato com vinagre algumas vezes. No início, ajudou a reduzir a oleosidade, mas logo percebi um ressecamento excessivo dos fios. Foi um sinal claro de que aquilo não funcionava bem para mim.
Esse período exigiu paciência e observação. Não foi confortável, nem rápido, mas foi necessário para entender os limites do meu cabelo.
O Que Observei nas Primeiras Semanas
Nas primeiras semanas, algo curioso começou a acontecer. Mesmo com oleosidade elevada, a caspa que aparecia logo após a lavagem começou a diminuir. Isso me chamou atenção.
A coceira ainda existia, mas não era igual à de antes. Tinha momentos de coceira intensa, depois sumia. Não era algo contínuo.
Para aliviar o desconforto, apliquei pequenas quantidades de óleo de coco diretamente no couro cabeludo. Em outros momentos, optei por lavar o cabelo mais vezes na semana.
Esses ajustes foram importantes para atravessar essa fase inicial sem desistir completamente.
Para mim, os primeiros meses foram os mais difíceis — cheguei a questionar se estava funcionando. Mas as pequenas mudanças que observei me fizeram insistir. Nessas horas, procurava relatos de outras pessoas para me motivar a continuar.
Eu pensava: ” Preciso ter paciência, essa fase vai passar. ” Sempre fui uma pessoa paciente, com visão de longo prazo, e isso me ajudou.
Mudanças Visíveis no Cabelo ao Longo de Um Ano
Com cerca de um ano de prática, muitas mudanças ficaram evidentes. A coceira diminuiu bastante, e a caspa quase não aparecia mais.
A oleosidade continuou existindo, mas de forma mais equilibrada. Antes, eu não aguentava ficar sem lavar o cabelo por mais de dois dias — a oleosidade e a coceira incomodavam demais. Era impensável passar mais tempo sem lavar.
Também precisava lavar bem cedo, geralmente até 8 ou 9 horas da manhã, só para garantir que ele secasse naturalmente durante o dia. Às vezes, até recorria ao secador para acelerar o processo.
Hoje, isso mudou completamente. Consigo ficar vários dias sem lavar, sem aquele incômodo antigo. E o mais curioso: agora posso lavar à tarde que ele seca normalmente, sem precisar de secador ou ficar preocupada com o tempo.
Outra mudança curiosa foi a textura do cabelo. Ele começou a ficar mais ondulado, algo que já tinha visto em relatos de outras pessoas. Hoje ele ainda é parcialmente liso, mas com ondas mais visíveis.
Também notei menos fios quebrados, menos pontas duplas e uma sensação geral de mais maciez.
Percebi que meu cabelo começou a cair mais, mas isso não foi um problema para mim — vejo que meus fios estão se renovando, até tento ativar isso penteando mais vezes. Sinto que as pontas duplas estão indo embora.

A Relação entre No Poo e Lixo Zero
Com o tempo, percebi que minha rotina no banheiro ficou mais simples. Menos produtos, menos embalagens e menos compras impulsivas.
Isso se conecta diretamente com o conceito de lixo zero, que não é sobre perfeição, mas sobre reduzir excessos de forma consciente.
Ao eliminar o shampoo da rotina, deixei de consumir dezenas de frascos ao longo dos meses. O impacto ambiental dessa escolha passou a fazer sentido de forma prática, não teórica.
Outra mudança importante foi na minha rotina de limpeza: hoje, normalmente lavo o cabelo apenas com água. Depois da adaptação, percebi que meu couro cabeludo responde bem à lavagem simples, sem necessidade de produtos. Sinceramente, nunca achei que seria possível!
O que antes parecia impossível virou parte do meu dia a dia. Consigo pentear o cabelo só lavando com água — antes era bem difícil, hoje ficou fácil e natural.
Além disso, o tempo gasto escolhendo produtos também diminuiu. A simplicidade virou um benefício inesperado.
Hoje me surpreendo ao ver meu banheiro minimalista — sem aqueles vários frascos de antigamente.
Benefícios que Foram Além do Cabelo
Além das mudanças físicas, algo mais sutil aconteceu. Passei a observar meu corpo com mais atenção e menos expectativa imediata.
O método no poo me ensinou que nem tudo precisa de solução rápida. Alguns processos exigem tempo, ajustes e escuta.
Nem sempre meu cabelo está “perfeito” ou do jeito que eu gostaria.
Às vezes, acordo num dia em que ele não está tão bonito ou alinhado. Só que agora, não tenho mais cosméticos para “esconder” ou corrigir isso de última hora — e aprendi a aceitar que está tudo bem. Essa aceitação virou parte do meu autocuidado também.
Essa lógica acabou se expandindo para outras áreas da vida. Consumo, bem-estar e rotina passaram a ser vistos com mais critério e menos impulso.
A experiência mudou a forma como vejo a oleosidade e a caspa. Antes, eu enxergava esses sinais como algo a ser eliminado. Hoje, entendo como algo a ser ouvido: “O que o meu corpo quer me dizer hoje ?“
Alguns aprendizados importantes desse período:
- Percebi que usar menos produto não significa abandonar o cuidado.
- Aprendi que o tempo de adaptação é só meu.
- Meu couro cabeludo responde melhor à constância do que a mudanças frequentes.
- Notei que cada corpo reage de um jeito.
- Aprendi a me respeitar mais e acolher o que me abriga.
Esses pontos me ajudaram a seguir com mais calma e menos ansiedade.
Meu Olhar Hoje
Mesmo após todo esse tempo, não considero o processo encerrado. Ainda existem dias de oleosidade maior e momentos de desconforto leve.
Minha experiência com no poo foi, acima de tudo, um exercício de escuta do corpo e simplicidade. Não foi um caminho linear, nem livre de desconfortos, mas trouxe mudanças reais ao longo do tempo.
A redução da caspa, a diminuição da coceira e a simplificação da rotina foram resultados que observei de forma gradual. Além disso, o impacto positivo na geração de lixo reforçou ainda mais o sentido dessa escolha.
Não existe fórmula universal. Este é apenas o meu relato pessoal, baseado na minha experiência e constante adaptação.
Com o tempo, vi que o método combina com o jeito mais natural e simples que escolhi viver.
Se esse texto ajudar alguém a refletir sobre seus próprios hábitos, o objetivo já estará cumprido.
