Amar a si mesmo parece um conselho simples, mas… quantas vezes você já se pegou tentando agradar a todos, ignorando seus próprios limites ?
Talvez você já tenha repetido frases sobre autoestima, autocuidado, amor-próprio — mas, no fundo, sentiu que algo faltava.
Será que a gente realmente sabe se amar ? Ou será que aprendemos a nos julgar e a nos cobrar mais do que qualquer outra pessoa faria ?
Hoje, quero compartilhar um pedaço do meu caminho de quando comecei a me amar de verdade. Porque começar a se amar não é um destino — é um processo, cheio de tropeços, descobertas e pequenos recomeços.
O Começo do Despertar Interior
Durante muito tempo, amar a mim mesma era apenas uma ideia bonita. Eu repetia essas palavras, esperando que em algum momento elas fizessem sentido de verdade.
Mas, por dentro, eu ainda me cobrava demais, duvidava do meu valor e buscava perfeição onde só existia vida real.
Ser generosa com os outros sempre foi natural para mim. O desafio era oferecer essa mesma gentileza para dentro.
No fundo, eu buscava sinais de aprovação em pequenas coisas: um elogio no trabalho, um “você está bem”, um reconhecimento silencioso. Tentava agradar, mesmo quando isso significava me afastar um pouco de mim.
Passei anos sem realmente me escutar com atenção. Não me percebia por completo — e a vida que eu levava refletia esse distanciamento.
Ainda assim, mesmo nos dias mais nublados, existia em mim um desejo simples e persistente: viver com mais leveza.
O Começo da Mudança
Por muito tempo, eu me esforçava além do necessário, tentando dar conta de tudo. Ainda assim, sentia que nunca chegava onde “deveria”.
Mas a vida, de vez em quando, convida a gente a parar. Foi na meditação que comecei a ouvir mais do que apenas pensamentos — percebi o quanto eu era rígida comigo mesma.
Notei o hábito de colocar a vontade dos outros acima da minha, sem perceber o custo disso.
Meu corpo começou a sinalizar que algo precisava mudar. Aos poucos, fui aprendendo a me ouvir de verdade, não só nas grandes decisões, mas nas pequenas escolhas do dia.
Descobri que amor-próprio mora nos pequenos gestos:
- Comer quando sinto fome, e não apenas quando sobra tempo.
- Dizer “não” com leveza, mesmo que nem sempre agrade.
- Permitir-me rir dos próprios tropeços, em vez de me julgar.
Nem sempre é fácil, claro. Às vezes, ainda escuto aquela voz interna querendo apressar, exigir, criticar.
Mas aprendi a celebrar cada pequena vitória: um sorriso diante do espelho, um momento de alívio, um “sim” dedicado a mim mesma.
Aprendendo a Me Aceitar
Comecei a aceitar meu corpo, meu cabelo, meu rosto — com todas as suas particularidades.
Antes, sentia vontade de esconder espinhas, fios rebeldes e pequenas imperfeições. Mas, com o tempo, fui deixando de lado a necessidade de me cobrir ou de parecer alguém diferente.
Hoje, meu cuidado é minimalista: faço o dinacharya pela manhã, uso o método no poo nos cabelos, um desodorante caseiro, sabonete artesanal e nada de cosméticos convencionais. Descobri beleza no natural — que reflete o estilo de vida que escolhi.
Passei a respeitar meu corpo — enxergando nele um templo vivo, que só pede cuidado e gratidão.
Esse movimento se refletiu também nas escolhas do dia a dia. Descobri prazer em uma alimentação mais natural, experimentando novos sabores e ouvindo de verdade o que me faz bem.
Hoje eu não sigo nenhuma moda, busco o confortável e o que realmente faz sentido pra mim.
Deixei que o autocuidado fosse simples: cozinhar para mim, preparar um chá, me permitir um descanso.
Aprendi a escutar críticas sem absorver, percebendo que, muitas vezes, elas dizem mais sobre o outro do que sobre mim.
E, nos dias bons, comecei a celebrar pequenas conquistas: conseguir dizer “não” sem culpa, terminar uma tarefa que eu vinha adiando, perceber um pensamento mais gentil sobre mim, agradecer por ter respeitado o meu ritmo naquele dia.
Aceitar a mim mesma não aconteceu de uma hora para outra, mas hoje reconheço a beleza que existe em ser quem sou, com verdade e simplicidade.
O Processo de Desaprender
Me amar de verdade significou desaprender muita coisa:
- Desaprender a necessidade de agradar sempre.
- Desaprender a esperar aplauso a cada passo.
- Desaprender a me comparar — com desconhecidos, com versões antigas de mim.
Foi um processo — teve dias de recaída, de culpa, de dúvida. Mas também teve dias de descoberta, de acolhimento, de leveza.
Pouco a pouco, o silêncio da autocrítica virou espaço para respiração e aceitação. Comecei a ouvir menos o que eu “deveria” sentir e mais o que realmente sentia.
Foi crescendo um respeito novo, mais verdadeiro, por quem eu sou de fato, sem máscaras.

O Que Mudou na Prática
Quando comecei a me amar de verdade, pequenas coisas mudaram — e mudaram tudo:
- Descobri prazer no silêncio e na minha própria companhia.
- Permiti-me descansar sem culpa, ouvindo meu corpo.
- Aceitei meu ritmo, sem tentar correr só porque todo mundo corre.
- Comecei a dormir mais cedo porque sentia que meu corpo pedia isso.
Entre tropeços e aprendizados, fui notando uma conexão maior comigo mesma. E te pergunto: Quando foi a última vez que você fez algo só por si, sem cobrança ?
O Minimalismo Como Reflexo
O minimalismo me ajudou nesse caminho.
Quando tirei excessos do armário, tirei também excessos do coração: cobranças, expectativas, aquela pressa de ser “mais”.
Fui ficando mais leve, por dentro e por fora. Aprendi que o essencial não é só o que tenho — é o que sou, sem precisar esconder.
Amor-próprio Se Cultiva Todos os Dias
O autocuidado não exige discursos grandiosos — ele floresce nos pequenos gestos de atenção consigo mesma.
É mais sobre se tratar com sinceridade e gentileza, acolhendo as próprias falhas com o mesmo carinho que se oferece a alguém querido.
Nem todos os dias são perfeitos. Às vezes, a comparação aparece, o julgamento interno insiste, algumas dúvidas voltam. Mas, com o tempo, aprendi a lidar melhor com esses momentos.
Hoje, não fujo de mim mesma, nem do espelho. Prefiro me abraçar, perdoar os tropeços e recomeçar quantas vezes for preciso.
Nos dias difíceis, paro e me acolho: “Está tudo bem, você está fazendo o melhor que pode!”
E, no lugar da culpa, celebro cada pequeno passo. Aos poucos, sinto meus dias mais tranquilos e simples.
Um Convite
Se você nunca se deu a chance de se amar de verdade, comece pequeno:
- Diga “obrigada” para o corpo que aguenta suas batalhas diárias.
- Perdoe um erro antigo.
- Escolha hoje uma gentileza para si mesma.
Eu comecei a me amar de verdade quando vi que o meu corpo é templo do divino.
Quando mudei a forma de me tratar e comecei a me respeitar, a mudança maior foi que esse amor por mim deixou de ser apenas palavras — comecei a senti-lo dentro de mim.
Honrar quem sou é minha maior forma de amor.
E você, já se abraçou hoje ?
