Silenciar a Mente: O Que Aprendi Vivendo o Agora

Silenciar a mente: Neste relato, conto o que aprendi ao viver mais o agora e como a presença foi trazendo mais leveza ao meu dia a dia.
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Se, alguns anos atrás, alguém me dissesse que um dia eu conseguiria “ficar sem pensar”, provavelmente eu teria achado impossível. Minha mente não parava: eram pensamentos ininterruptos, ruídos internos, dúvidas e cobranças — tudo ao mesmo tempo.

Mas a vida surpreende. Descobrir que existe espaço entre os pensamentos foi um divisor de águas no meu processo de autoconhecimento.

O que quero compartilhar aqui não é uma fórmula pronta, e sim minha experiência pessoal. “Silenciar a mente” não é desligar tudo, mas criar um espaço interno para simplesmente estar. Vamos juntos refletir sobre como essa jornada pode transformar nossa relação com o cotidiano ?

Por Que Silenciar a Mente é Um Desafio ?

Quando falamos em “silenciar a mente”, muita gente imagina que existe uma solução rápida. Só que, na prática, a realidade é bem diferente: vivemos em uma sociedade que valoriza produtividade, respostas rápidas e o tempo todo exige que pensemos e façamos mais. O silêncio, às vezes, é até visto como estranho.

Fomos ensinados a associar estar sempre pensando à competência. Parar, relaxar ou simplesmente não pensar pode parecer desperdício de tempo. Mas esse excesso de pensamentos traz cansaço, ansiedade e sensação de sobrecarga.

Foi nesse cenário que, em busca de mais equilíbrio, resolvi experimentar a meditação.

O Início da Jornada

Lembro de quando, há alguns anos, li pela primeira vez que era possível “silenciar a mente”. Naquele momento, não acreditei, mas a ideia ficou na cabeça. Movida pela curiosidade, comecei a pesquisar e ler mais sobre o assunto.

Com o tempo, percebi que, em alguns momentos — especialmente durante viagens, ao admirar uma paisagem ou caminhar sem pressa — eu já vivenciava breves instantes de silêncio. 

Uma dessas lembranças ficou gravada em mim: eu estava viajando e, certa tarde, caminhei devagar por uma rua de pedras. O sol era acolhedor, aquecia suavemente minha pele. O céu estava azul, com poucas nuvens espalhadas, e uma brisa leve trazia frescor ao ar. Ao redor, bares abertos, risadas e conversas baixas de pessoas sentadas nas calçadas, vivendo o tempo ao seu modo.

Por um instante, tudo pareceu desacelerar. Não havia pressa, nem cobrança. Senti um bem-estar profundo, como se meu corpo e minha mente finalmente estivessem no mesmo lugar. 

Nenhum pensamento me puxava para longe, nenhuma preocupação ocupava espaço. Foi ali, naquela simplicidade, que uma emoção suave me tomou: meus olhos se encheram de lágrimas sem que eu soubesse explicar o motivo. 

Não era tristeza, nem euforia – era só uma sensação de presença, gratidão, uma felicidade serena por apenas existir naquele momento.

Nada de extraordinário acontecia. E talvez por isso tudo fizesse tanto sentido. Eu estava apenas vivendo o agora.

No entanto, bastava voltar para a rotina para a enxurrada de pensamentos retornar. Eu já tinha ouvido falar de meditação, mas ainda não praticava.

O Primeiro Passo: Aceitar o Ruído

O tempo passou. Há cerca de três anos, percebi que o cansaço, a autocobrança e o receio do futuro tinham aumentado. Resolvi, então, dar um passo e tentar meditar, buscando um pouco mais de paz. Já tinha lido sobre os possíveis benefícios, mas nunca havia tentado de fato.

No começo, estranhei muito. Ficar em silêncio me incomodava. Então, para facilitar, comecei a marcar um tempo e coloquei uma música com frequência relaxante. Assim foi mais fácil — mantive esse hábito por alguns meses.

Mais adiante, decidi tentar meditar sem música. O silêncio, no início, causava desconforto. Comecei com cinco minutos, aumentando aos poucos. Enfrentar os próprios pensamentos pode ser desafiador. Com o tempo, percebi que não era necessário buscar um estado perfeito de paz para que o silêncio fosse valioso.

O processo, para mim, começou com a aceitação do ruído mental. Minha mente era como uma rádio quebrada — barulho constante. Com prática, aprendi a apenas observar meus pensamentos, sem precisar lutar contra eles.

Me inspirei em um trecho do budismo:

“Assim como um macaco, balançando-se em uma floresta, agarra um galho e, ao soltá-lo, agarra outro; da mesma forma, o que é chamado de mente, intelecto ou consciência, dia e noite, surge como uma coisa e cessa como outra” (Samyutta Nikaya 12.61).

Essa visão me ajudou a reconhecer e deixar passar os pensamentos, sem julgamentos. Aos poucos, fui percebendo que observar, em vez de reagir, era um exercício contínuo.

Mesmo nos dias difíceis, sempre há algo para aprender.

Meditação: Da Teoria à Prática Real

Quando decidi meditar de verdade, ainda parecia algo distante, “coisa de gente muito zen”. Comecei de forma simples: sentada, olhos fechados, apenas buscando estar presente — mesmo que o desconforto aparecesse. 

Dez minutos pareciam eternos, o corpo inquieto, a mente acelerada, mas fui persistindo e, aos poucos, aumentei o tempo.

Algumas estratégias que funcionaram comigo:

  • Começar com poucos minutos, sem cobrança.
  • Usar músicas ou sons relaxantes se o silêncio for difícil.
  • Lembrar que o objetivo não é “zerar” a mente, mas criar espaço para novas percepções.

O corpo pode resistir: coceiras, incômodos, distrações. Com o tempo, tudo isso tende a diminuir.

O principal, para mim, foi entender que não existe meditação perfeita — cada tentativa já é uma vitória.

Mulher sentada meditando em casa, olhos fechados, praticando silenciar a mente e cultivando calma no dia a dia.
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Dificuldades Reais: O Que Fazer Quando a Mente Não Colabora ?

Nem sempre é simples. Tem dias em que a mente está ainda mais agitada e a vontade de desistir aparece. Aos poucos, percebi que qualidade importa mais do que quantidade: há dias em que consigo meditar por 30 minutos, em outros, paro nos 10 — e tudo bem.

Quando surge um pensamento difícil, procuro apenas reconhecer: “está tudo bem, isso faz parte”, sem me apegar a ele. Os pensamentos vêm e vão. 

Entendi que o silêncio nem sempre chega fácil, e isso faz parte do processo. O mais importante é seguir praticando, sem cobrança de perfeição, apenas respeitando meu ritmo.

Benefícios Que Observei em Mim

Hoje, penso ? Sim — mas não da mesma forma de antes. Consigo permanecer em silêncio por mais tempo, algo que antes parecia impossível. Passei a aceitar minha própria presença.

Percebi que, com o tempo, lido melhor com situações difíceis e com o estresse do dia a dia. Ainda sou tocada por acontecimentos e pessoas, mas já não me deixo arrastar como antes.  O silêncio começou a me visitar com mais frequência, sem que eu forçasse nada. 

Aprendi também a escutar melhor meu corpo e meus pensamentos. Nem sempre é fácil — às vezes, eles revelam pontos que preciso transformar, trazem intuições ou até repetem vozes de outras pessoas. 

Mas, aos poucos, fui aprendendo a olhar para tudo isso sem tanto medo, lembrando de um ensinamento do Budismo: “Você não é a sua mente.” Essa compreensão me trouxe liberdade para apenas observar o que surge, sem me identificar tanto com cada pensamento ou emoção.

Esses momentos de silêncio me ajudam a distinguir o que realmente é meu, do que carrego dos outros. Aos poucos, fui entendendo o que faz sentido seguir e o que é hora de deixar ir.

O maior benefício, para mim, foi sentir mais gratidão pela vida e maior conexão com Deus. 

Lembre-se: cada experiência é única. Se você quiser experimentar a meditação, procure sempre respeitar seus próprios limites e seu ritmo.

Descobrindo Seu Próprio Caminho para o Silêncio

  • Reserve 5 minutos por dia para respirar e observar os pensamentos.
  • Caminhe devagar, prestando atenção ao ambiente.
  • Escreva sobre o que sente após um momento de silêncio.
  • Aceite que haverá dias fáceis e outros desafiadores — e tudo bem.

O Caminho do Agora

Para mim, silenciar a mente se tornou um caminho de autoconhecimento, prática, paciência e compaixão comigo mesma. Antes, o silêncio era algo que eu evitava. Hoje, ele já faz parte de mim.

Não foi que os pensamentos desapareceram de uma vez. Eles foram perdendo força aos poucos, à medida que eu comecei a escutar o que traziam, em vez de fugir deles. Quando passaram a ser ouvidos, deixaram de fazer tanto barulho dentro de mim.

Com o tempo, o silêncio se tornou um aliado, um refúgio de paz no meio do dia a dia. Se alguém me perguntar se é possível silenciar a mente, respondo: para mim, sim — e cada passo desse caminho valeu a pena.

Nesses breves momentos de silêncio, descobri que a felicidade reside nas pequenas coisas.

E você ? Já experimentou o silêncio hoje ?

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Juliana Santos

Redatora e engenheira química. Apaixonada por sustentabilidade, natureza, música clássica, meditação e yoga.

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